terça-feira, 21 de agosto de 2012

Devanear...


Homo Infimus – Augusto dos Anjos

Homem, carne sem luz, criatura cega.
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam... Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.

Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: o de chorar!
http://lindos-sonetos.vilabol.uol.com.br/xav4.htm

Viva a sabedoria...


Textos Filosóficos 21
Terça-feira, 22 de outubro de 2002
Arqueologia 
Pesquisadores afirmam ter encontrado ossário do irmão de Jesus
John Noble Wilford The New York Times
Uma inscrição em pedra, encontrada perto de Jerusalém em uma língua e escrita de 2 mil anos atrás, traz a frase "Tiago, filho de José, irmão de Jesus".
Este pode ser o artefato mais antigo já encontrado relacionado à existência de Jesus, concluiu um estudioso francês em uma análise da inscrição que será publicada nesta semana na revista Biblical Archaeology Review.
Se a inscrição for autêntica e se referir à Jesus de Nazaré, ela será a documentação mais antiga conhecida de Jesus fora da Bíblia. A revista, que anunciou a descoberta na segunda-feira, a está promovendo como a "descoberta arqueológica mais antiga para corroborar as referências bíblicas a Jesus".
Outros estudiosos estão reagindo com cautela, considerando o achado importante e instigante, mas dizendo que provavelmente será impossível confirmar um elo definitivo entre a inscrição e qualquer uma das figuras centrais da fundação do cristianismo.
Fraude não pode ser descartada, eles disseram, apesar do estilo cursivo da escrita e um exame microscópico da superfície gravada parecer diminuir as suspeitas. Uma investigação da Pesquisa Geológica de Israel não encontrou nenhuma evidência de pigmentos modernos, marcas de instrumentos de corte modernos ou outros sinais de falsificação.
Estudiosos bíblicos disseram em entrevistas que a evidência circunstancial apoiando uma ligação com Jesus é possivelmente forte, mas ainda assim circunstancial.
Apesar de Tiago (Jacó ou Ya'akov), José (Yosef) e Jesus (Yeshua) serem nomes comuns daquela época e local, notaram vários estudiosos, seria altamente improvável eles aparecerem na combinação e ordem de parentesco encontrada na inscrição.
As palavras, em aramaico, "Ya'akov bar Yosef akhui diYeshua", foram gravadas em uma caixa fúnebre de calcário de 51 centímetros de comprimento, conhecida como ossário, que presumivelmente já conteve os ossos de um homem chamado Jacó, que morreu no primeiro século d.C.
Várias vezes o Novo Testamento menciona que Jesus tinha um irmão chamado Tiago, que se tornou líder da nascente comunidade cristã em Jerusalém após a crucificação. Esse Tiago foi o primeiro dos apóstolos ao qual Jesus ressuscitado supostamente apareceu. O historiador judeu do primeiro século, Josephus, registrou que Tiago foi executado por apedrejamento por volta de 63 d.C.
Este Tiago poderia ser um dos muitos Tiagos. Mas o restante da inscrição estreita significativamente as possibilidades. Primeiro, de acordo com a prática comum, seu pai foi identificado, neste caso um José.
Mas raramente o irmão do morto seria acrescentado na inscrição, a menos que o irmão fosse proeminente. Tiago, o apóstolo, poderia querer proclamar uma última vez sua ligação com Jesus.
André Lemaire, um pesquisador da Sorbonne em Paris e um respeitado especialista em inscrições do período bíblico, calculou a probabilidade estatística dos três nomes ocorrerem em tal combinação como extremamente pequena. Provavelmente ao longo de duas gerações na Jerusalém do primeiro século, não mais do que 20 pessoas poderiam se chamar "Tiago, filho de José, irmão de Jesus", e poucas delas poderiam ter sido enterradas em ossários com inscrição. Outros cálculos reduzem ainda mais a probabilidade.
"Parece muito provável que este seja o ossário de Tiago do Novo Testamento", escreveu Lemaire no artigo da revista. "Se for, isto também significaria que temos aqui a primeira menção epigráfica --de cerca de 63 d.C.-- de Jesus de Nazaré".
Em outro trecho de seu artigo ele reconheceu que "nada nesta inscrição de ossário confirma claramente a identidade" deste Tiago como o conhecido na tradição cristã.
Antes disso, informou a Biblical Archaeology Review, a menção mais antiga de Jesus se encontrava em um pedaço de papiro contendo um fragmento do Evangelho de João, escrito em grego por volta de 125 d.C. A maioria dos textos mais antigos existentes do Novo Testamento datam de 300 anos ou mais depois da época de Jesus. Acredita-se que o primeiro Evangelho, de Marcos, foi escrito por volta do ano 70.
Apenas poucos outros artefatos antigos mencionam figuras do Novo Testamento. Em 1990, o ossário de Caifás, o sumo sacerdote que entregou Jesus aos romanos, foi encontrado. Antes, os arqueólogos descobriram uma inscrição em um monumento que apresentava o nome de Pôncio Pilatos.
Como outros estudiosos bíblicos, o dr. James C. VanderKam da Universidade de Notre Dame elogiou Lemaire como um renomado epigrafista, ou especialista em inscrições antigas, cuja pesquisa é meticulosa e as avaliações criteriosas.
"Como a pesquisa vem de André Lemaire, eu a levo muito a sério" disse VanderKam. "Se for autêntica, e parece que é, esta é uma confirmação não-bíblica de muita ajuda da existência de Tiago".
Eric M. Meyers, um arqueólogo e diretor do programa de doutorado em religião da Universidade Duke, disse que a raridade da ocorrência desta configuração de nomes, especialmente a inclusão do nome do irmão, "leva a um senso de credibilidade da alegação".
Mas Meyers questionou se a descoberta, caso se refira a Jesus, "nos dirá algo que já não sabíamos". Ele e outros estudiosos concordam que Jesus, como figura histórica, já foi bem estabelecido há muito tempo.
Joseph Fitzmyer, professor emérito de estudos do Novo Testamento da Universidade Católica em Washington, a saudou como uma descoberta significativa caso se refira a Jesus de Nazaré. "Esta seria uma nova atestação extrabíblica de sua existência, e há muito poucas coisas extrabíblicas que o fazem", disse ele.
Ainda assim, Fitzmyer disse que tem sérias dúvidas de que o terceiro nome na inscrição realmente se refira a Jesus de Nazaré.
"É possível, mas eu hesitaria em dizer provável", disse ele. "Eu não sei como alguém poderia dizer mais que isto".
A forma como o ossário foi descoberto é parte do problema, disseram os estudiosos. Ele de alguma forma caiu nas mãos de saqueadores, que então lucraram o vendendo no mercado de antigüidades. Hershel Shanks, editor da Biblical Archaeology Review, disse que o ossário atualmente é de propriedade de um colecionador cujo nome não foi divulgado.
Como o ossário não veio de uma escavação controlada, onde os arqueólogos traçam cada detalhe e possível pista sobre o contexto da descoberta, os estudiosos disseram que temem que nunca saberão com certeza o significado da inscrição.
"Isto poderia ser algo genuinamente importante, mas nunca poderemos saber ao certo", disse o dr. P. Kyle McCarter Jr., professor de estudos bíblicos e do Oriente Próximo da Universidade Johns Hopkins. "Não saber o contexto de onde o ossário foi encontrado compromete qualquer coisa que possamos dizer, e assim as dúvidas persistirão".
Alguns poucos estudiosos criticaram a revista por publicar um artigo baseado em pesquisa envolvendo peças saqueadas, argumentando que isto encoraja práticas não éticas no mercado de antigüidades. O Discovery Channel anunciou que planeja realizar um documentário para televisão no próximo ano sobre os testes científicos do suposto ossário de Tiago.
Ossários eram usados na prática de enterro em duas etapas que era comum entre os judeus no primeiro século. Quando uma pessoa morria, o cadáver era primeiro colocado em um sepulcro por cerca de um ano. Após a decomposição da carne, os ossos eram recolhidos e então colocados em uma caixa de calcário, um ossário. O ossário em questão não é adornado, com exceção da inscrição com 20 letras aramaicas em um de seus lados.
No artigo, Lemaire reconhece que ninguém sabe se os cristãos da época mantiveram o hábito judaico do enterro em duas etapas.

Curioso...

Papel
Os egípcios inventaram o papiro, no início da era cristã, trançando fatias finíssimas de uma planta com o mesmo nome, retiradas das margens do rio Nilo. No século II, o papiro fazia tanto sucesso entre os gregos e os romanos, que os mandatários do Egito decidiram proibir sua exportação, temendo a escassez do produto. Isso disparou a corrida atrás de outros materiais. Na cidade de Pérgamo, na Antiga Grécia (hoje, Turquia), foi usado o pergaminho, obtido da parte interna da pele do carneiro. Grosso e resistente, ele era ideal para os pontiagudos instrumentos de escrita dos ocidentais que cavavam sulcos na superfície do suporte, os quais eram, depois, pacientemente preenchidos com tinta. O pergaminho, entretanto, não era liso e macio o suficiente para resolver o problema dos chineses, que praticavam a caligrafia com o delicado pincel de pêlo, inventado por eles ainda no ano 250 a.C. - só lhes restava, assim, a solução nem um pouco econômica de escrever em tecidos como a seda. E tecido, naqueles tempos antigos, podia sair tão caro quanto uma pedra preciosa.
Provavelmente, o papel já existia na China desde o século II a.C., como indicam os restos em uma tumba, na província de Shensi. Mas o fato é que somente no ano 105, o oficial da corte T’sai Lun anunciou ao imperador a sua invenção. Tratava-se, afinal, de um material muito mais barato do que a seda, preparado sobre uma tela de pano esticada por uma armação de bambu. Nessa superfície, vertia-se uma mistura aquosa de fibras maceradas de redes de pescar e cascas de árvores. No ano 750, dois artesãos da China foram aprisionados pelos árabes, na antiga cidade de Samarkanda, aos pés das montanhas do Turquestão. A liberdade só lhes seria devolvida com uma condição - se eles ensinassem a fabricar o papel, que assim iniciou sua viagem pelo mundo. No século X, foram construídos moinhos papeleiros em Córdoba, na Espanha.
Os italianos da cidade de Fabriano começaram a fabricar papel, em 1268, à base de fibras de algodão e de linho, além de cola - substância que, ao envolver as fibras, tornava-se mais resistentes às penas metálicas com que escreviam os europeus. Quanto ao preço, no entanto, papel e pergaminho empatavam, pois era muito difícil conseguir roupas velhas para extrair a celulose. Quando, na Renascença, o advento da imprensa fez o consumo de papel aumentar terrivelmente, os ingleses chegaram a determinar que as pessoas só poderiam ser enterradas com trajes de lã, a fim de poupar os trapos de algodão, deixados compulsoriamente de herança para os papeleiros.
Até hoje o papel-moeda, por exemplo, não dispensa esse nobre ingrediente, que por ter fibras longuíssimas faz um produto difícil de rasgar. O algodão demorou para ser substituído. Somente em 1719, o entomologista René de Réaumur (1683-1757) sugeriu trocá-lo pela madeira. Ele observou vespas construindo ninhos com uma pasta feita a partir da mastigação de minúsculos pedaços de troncos.
http://www.guiadoscuriosos.com.br/categorias/3880/1/papel.html

Só quando a hora chegar... Nem antes, nem depois!


Pedreiro sobrevive à queda de 36 metros em Curitiba
Depois de provocar uma situação inusitada na segunda-feira, quando despencou de uma altura de 36 metros em uma obra na Rua Euclides da Cunha, no bairro Bigorrilho, em Curitiba, e sobreviver, o pedreiro Everson do Espírito Santo, de 30 anos, deixou o Hospital Evangélico caminhando, sem ferimentos graves e apenas escoriações no rosto.
A queda aconteceu entre o 21º e o 8º andar da construção, pelo fosso do elevador. Um dos fatores que pode ter colaborado para a sobrevivência foram andaimes que amorteceram a queda. Após o acidente, a obra passará por uma vistoria. Segundo testemunhas, o trabalhador não utilizava equipamentos de segurança.
Everson atravessou por cima do fosso do elevador, mas a proteção quebrou e começou a cair. "Só senti na hora em que parei naquele (andaime) que não quebrou, que me segurou. Aí eu saí e, nessa hora, ainda meio tonto, veio um pedreiro que me ajudou", afirmou. Ele considerou o fato um milagre creditado ao seu nome. "O Espírito Santo me salvou, só podia ser."
O Ministério do Trabalho deve visitar a obra para investigar as condições dos trabalhadores e a segurança no local. Além disso, será questionado se a empresa possui o Programa de Controle do Meio Ambiente de Trabalho, que é obrigatório para o setor.
http://br.noticias.yahoo.com/pedreiro-sobrevive-queda-36-metros-curitiba-224400950.html

Em todos os lugares a idiotice está presente...


Soldado é condenado por bater em noiva até ela ‘ficar feia’
O soldado britânico Jason Hughes foi condenado a nove anos de prisão após bater em sua noiva por sete horas seguidas e cortar sua garganta com o objetivo de fazer ela 'ficar feia'. Ele espancou a moça depois que ela terminou o relacionamento que tinham, segundo o site 'Daily Mail'.
Jason, de 40 anos, atacou Natalie Allman, 26 anos, quando ela estava dormindo em sua cama no dia 3 de fevereiro. Apesar de ter concordado com o encerramento da relação que tinham, o soldado tentou sufocá-la com um travesseiro e depois começou a bater nela com um peso de academia.
Depois de bater na mulher, ele usou uma lâmina de 20 cm para abrir um corte na garganta da vítima. Após sete horas de pura crueldade, ele chamou uma ambulância. Natalie fraturou oito ossos da face e sofreu oito lesões na cabeça enquanto apanhava.
Os filhos do ex-casal testemunharam as agressões. Apesar de já estarem separados, Jason e Natalie ainda moravam juntos na época do ataque. O soldado procurava uma nova casa para morar e continuar sua vida. Jason foi condenado a nove anos de prisão por agressão com o objetivo de causar dano corporal grave. "A intenção dele era causar uma cicatriz horrorosa que ela não pudesse esconder quando se vestisse para ficar bonita", disse a advogada de defesa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Só rindo...



Viva a sabedoria...


Textos Filosóficos 20
Gente como a gente
Galileu vivia em bordéis. Newton era apaixonado por um matemático. Einstein era pão-duro e desleixado. A vida dos grandes cientistas mistura lances de genialidade com hábitos, paixões
e manias que nada ficam a dever ao mais comum dos mortais
Por Mariana Mello com Ilustração de Cláudio Duarte
Tímido, Charles Darwin (1809 1882) detestava discussões. Sentia falta de companhia para conversar sobre insetos e adiou a publicação de sua teoria porque não se considerava um cientista 
Lembra aquelas aulas de geometria em que, pela primeira vez, você ouviu falar de Pitágoras? Seu professor provavelmente levou horas explicando o famoso teorema estabelecido por esse brilhante matemático e filósofo grego. Com catetos e hipotenusas boiando na mente, naquele dia você certamente voltou para casa convicto de que tomara conhecimento da existência de um gênio da geometria. Nascido na ilha grega de Samos, Pitágoras (565-490 a.C.) revolucionou a matemática. Suas teorias, por exemplo, seriam aplicadas com êxito no estudo do movimento dos astros 17 séculos mais tarde. O que o seu professor talvez não tenha contado é que o sábio grego tinha lá suas esquisitices.
Pitágoras acreditava que olhar a própria imagem no espelho à luz de velas atraía azar. Deixar de arrumar a cama, idem. E achava que tocar em um frango vivo era pedir para que algo de ruim acontecesse. Acostumado a raciocínios lógicos, Pitágoras nutria um leque de superstições digno de um babalorixá. Era um gênio matemático e também um místico: liderava uma seita que pregava a reencarnação e a metempsicose – a volta à Terra de alguém que cometeu crimes em vidas passadas, encarnado no corpo de um animal. Tinha também atitudes dignas de um Francisco de Assis, o santo cristão apaixonado pela natureza. Quando não estava calculando, Pitágoras podia ser visto conversando com os bois. Certa vez, chegou a bater com a bengala em um homem que maltratava um cachorro. “Não faça isso”, disse. “Este aí é um amigo que morreu há pouco tempo e reencarnou.”
Não se espante, caro leitor, nem julgue que lances assim, na vida dos gênios da ciência, só aconteciam num tempo em que ciência, filosofia e religião conviviam com mais promiscuidade. Impulsos, obsessões, manias e crenças nada científicas eram e são comuns, em menor ou maior grau, aos mais luminosos cérebros que já existiram. Dos gregos a Lavoisier, de Newton a Einstein, o lado às vezes comum, às vezes pitoresco dos homens de ciência exibe páginas em que o gracioso e o inusitado compõem a antimagem do mito que todos cultuamos.
“O cientista é como qualquer pessoa: tem paixões e ambições”, afirma Shozo Motoyama, chefe do Departamento de História da Ciência da Faculdade de História da Universidade de São Paulo. “É ingenuidade imaginar que se trata de alguém acima das vaidades humanas.” Muitos gênios, aliás, foram flagrados em atitudes que revelam uma malandragem digna dos românticos morros cariocas de outrora. Vejamos o caso do astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642). O jovem Galileu, falastrão e polemista, teve coragem suficiente para desafiar a Igreja com a sua teoria de que a Terra girava em torno do Sol, e não o contrário. Mas não conseguiu resistir à tentação de se apoderar de idéias alheias para alcançar prestígio e conseguir recursos para manter a vida boêmia.
Galileu Galilei (1564-1642) gostava de estar em evidência. Um dia chamou o povo e divulgou, na praça da cidade, as dimensões do inferno e a altura exata do Diabo 
Fiel freguês dos bordéis de Pádua, cidade do interior da Itália onde lecionava filosofia, Galileu amou muitas prostitutas e acabou casando-se com uma delas, Marina de Gamba. Ambos tinham 35 anos. Com muitas contas para pagar, não viu outra saída senão usar a sua inteligência como inventor. Numa viagem a Veneza, o astrônomo ouviu rumores a respeito de um fabricante de óculos que acabara de inventar um instrumento que permitia observar objetos distantes como se estivessem perto. Voltou para casa correndo e só descansou depois que o telescópio, o invento com que iria abalar a cosmogonia da época, estava pronto e patenteado com o seu nome.
Galileu também tropeçou, ao menos uma vez, na seriedade e na precisão que se espera de um dos maiores homens de ciência da história. Empolgado com cálculos e sempre pronto a detonar uma polêmica, o cientista italiano – que, apesar de sua herética teoria heliocêntrica, era católico – anunciou em praça pública que revelaria as dimensões e a localização matemáticas do inferno. Calculou então que os domínios do Diabo tinham a forma de um cone invertido, ocupavam um doze avos do volume da Terra e ficavam exatamente abaixo da cidade de Jerusalém. Como se não bastasse, arriscou esboçar a altura de Lúcifer que, pelas suas contas, mediria 1 935 braças (mais de 4 quilômetros). 
Isaac Newton (1642-1727) era rabugento, vingativo e foi acusado de plágio por um cientista contemporâneo
Galileu não está sozinho no time dos que não hesitaram em surrupiar a idéia do próximo. Antoine Lavoisier (1743–1794), o químico francês que imortalizou a expressão “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, ganhou notoriedade em 1788 ao demonstrar que o ar é composto por vários gases (até então pensava-se que o ar era uma substância pura) e que o oxigênio é fundamental para a combustão. Tudo bem, não fosse um pequeno detalhe: quem descobriu a existência do oxigênio não foi Lavoisier, mas seu amigo Joseph Priestley (1733-1804), que teve a infelicidade de confidenciar a descoberta ao colega francês durante uma festa regada a vinho. Lavoisier que, naquela semana, tinha concluído um trabalho científico sobre combustão em que não fazia uma única referência ao oxigênio, vislumbrou ali, na revelação etílica de Priestley, o seu momento de glória. Terminada a farra, reescreveu o trabalho, adicionando as idéias do amigo, e entrou para os anais da ciência como autor de uma descoberta que mudou os rumos da química.
Mas há também, no cotidiano dos sábios fora dos laboratórios e da Academia, gestos de boa vontade e camaradagem. Lá está o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), que não nos deixa mentir. (E nem mentia.) Tímido além da conta, Darwin detestava discussões e, por não ter concluído os estudos superiores, não se considerava um cientista. Teria passado pela vida como um homem comum, casado com uma prima em segundo grau, não fosse um empurrãozinho do amigo Alfred Wallace (1823-1913). Foi uma carta de Wallace que o levou a retirar do baú os manuscritos de sua Teoria da Evolução das Espécies. Na carta, o amigo indagara se ele via fundamento na idéia de que as plantas e os animais evoluem para se adaptarem ao meio e, ao saber que Darwin já havia pensado sobre isso anos antes, estimulou-o a publicar suas idéias, escondidas sob o temor de entrar em conflito com a Igreja.
Se Darwin não gostava de confusão, o mesmo não se pode dizer de Isaac Newton (1642-1727), o físico inglês que conseguiu enxergar na queda de uma maçã o rastro de uma força invisível que age sobre todas as coisas que estão ao redor e sobre a Terra: a gravidade. Newton dava um boi para entrar numa encrenca e uma boiada para não sair. Criado sem pai, longe da mãe, o menino Newton teve que ser camareiro de um professor em troca da bolsa de estudos na escola elementar. Mais tarde se tornaria um homem fechado, agressivo e ambicioso.
Tão logo a Teoria da Gravitação Universal foi publicada, o físico Robert Hooke (1635-1703) cutucou a onça com vara curta, acusando Newton de plágio. Hooke jurava que tinha feito a descoberta primeiro. Não sabia com quem estava lidando. Newton revidou e os dois, além das alfinetadas por cartas e artigos em jornais, chegaram a trocar sopapos nos corredores da Royal Society, sociedade científica inglesa presidida por Newton. “Hooke deveria ser tão conhecido na época quanto Newton”, diz Shozo. Mas só Newton entrou para a história.
Em 1699, o físico inglês foi nomeado diretor da Casa da Moeda Britânica, cargo que ocupou por 20 anos. O importante posto lhe permitiu ajudar amigos com empréstimos e, claro, prejudicar os inimigos. Além disso, também assinou mais de 100 ordens de prisão e decretou alguns enforcamentos por não pagamento de dívidas. Envolvido com tanto trabalho, dizia não ter tempo para mulheres e nunca se casou. Os inimigos não perderam a chance de acertá-lo no rim: é que Newton não se casou, mas se apaixonou perdidamente. Por um homem. Durante anos trocou cartas carinhosas com o jovem matemático suíço Fatio Duillier.
Em excentricidade nenhum cientista até hoje conseguiu desbancar Albert Einstein (1879-1955), autor da Teoria da Relatividade, um dos pilares da física moderna. Para começar, Einstein costumava deitar na banheira vazia para estudar, imaginando estar sentado na escrivaninha. Caminhava debaixo de tempestades sem se dar conta da chuva, rabiscava fórmulas na toalha da mesa, comia suas refeições, geladas no prato, horas depois que as outras pessoas já haviam comido, e escrevia discursos de agradecimento no verso de notas fiscais.
Além de pregar que os números se dividiam entre machos e fêmeas, Pitágoras (565 490 a.C.) acreditava que tocar em um frango vivo era pecado mortal 
Absolutamente absorto em seu mundo particular, Einstein vivia praticamente sem um tostão no bolso. Toda a sua renda vinha do modesto salário de professor de física, que acabava rapidamente. Isso ajuda a explicar, em parte, sua aparência descuidada. Ele raramente cortava o cabelo, vestia calças que acabavam no meio das canelas, só fazia barba com água e sabão (creme de barbear era supérfluo) e ia para todo lado de bicicleta – não tinha carro.
O ar desleixado, a cabeleira branca e os olhos grandes, por incrível que pareça, funcionavam muito bem junto às mulheres. Einstein recebia centenas de cartas de pretendentes apaixonadas, principalmente depois que ficou viúvo de Elsa Löwenthal, sua segunda esposa, aos 57 anos. Segundo os biógrafos, ele soube tirar proveito do fã-clube feminino, levando mulheres para demorados passeios de barco em Zurique.
Einstein também era humilde e solidário. Respondia cartas de crianças, que lhe enviavam perguntas sobre álgebra. E salvou o colega Leopold Infield da miséria, aceitando participar de uma farsa por uma boa causa. “Quando foi demitido da universidade, Infield escreveu um livro sobre história da física e Einstein entrou como co-autor sem ter lido um parágrafo. Infield viveu o resto da vida graças aos direitos autorais dessa obra”, diz Shozo.
Einstein e Sigmund Freud (1858-1939), o pai da psicanálise, eram amigos e, vez por outra, se reuniam para conversar. Nessas ocasiões, o físico gostava de dizer que a humanidade ainda não estava pronta para quebrar o átomo e Freud pegava a deixa para mais um discurso sobre a pulsão de morte que alimenta a agressividade humana. Militando em áreas de conhecimento distintas, tinham em comum o senso de humor e o gosto pelo tabaco. (Freud fumava tanto cachimbo que teve câncer na boca. Einstein, sem grana, foi visto várias vezes catando bitucas de cigarro nas ruas.)
Freud, ele mesmo diria a seu respeito se pudesse se autoanalisar, carregava um complexo de inferioridade por ser pobre e judeu num mundo de maioria cristã. Ele não concordava com o desprezo dos médicos pelo lado psicológico dos pacientes e criou uma nova maneira de abordar e entender o funcionamento do ser humano. Na mão contrária de suas idéias revolucionárias, era um marido conservador e um pai austero. Fazia as refeições sempre nos mesmos horários, visitava a mãe sempre no mesmo dia da semana, caminhava e jogava tarô com outros médicos com hora marcada.
Pitágoras, Galileu, Darwin, Einstein. “Todos eles eram, sobretudo, pessoas como eu e você”, diz Carlos Maia, do Departamento de História da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Você decide se o mais difícil é acreditar que eram mesmo pessoas normais tendo feito as descobertas que fizeram ou se eram mesmo gênios da raça com todo esse maravilhoso e burlesco repertório de extravagâncias.
http://profileonline.com.br/textos_filosoficos_20.htm

Mais uma etapa superada...