terça-feira, 9 de julho de 2013

Ninguém sabe, ninguém viu...

‘O raro silêncio de Lula’, editorial do Estadão
PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO
Habitualmente muito loquaz e atento a todas as oportunidades para exercitar a vanglória e malhar os adversários, Luiz Inácio Lula da Silva está mudo desde o início das manifestações de rua que há semanas tomaram conta do País. Nos últimos dias, uma oportuna viagem à África tirou-o de circulação.

Enquanto isso, multiplicam-se as evidências de que, pelo menos para parte significativa dos quadros do PT, inclusive alguns solidamente instalados no Palácio do Planalto, todos de olho em 2014, o “volta Lula”, mais do que um apelo nostálgico, é a última esperança de sobrevivência do tão acalentado projeto de perpetuação no poder.

Lula tem reafirmado que Dilma é sua candidata, portanto, a candidata do PT nas eleições presidenciais do ano que vem. De fato, pelo menos até um mês atrás tudo levava a crer que o encaminhamento natural dos acontecimentos levaria à reeleição de Dilma.

Seria muito difícil explicar politicamente a não candidatura da presidente, mesmo que para ceder o lugar ao seu mentor. A não ser, é claro, que surgisse um inquestionável motivo de força maior. E essa força maior seria a ameaça iminente à hegemonia político-eleitoral do PT.

Pois a “força maior” está nas ruas. Apesar de o marqueteiro oficial João Santana garantir que em quatro meses Dilma terá recuperado o prestígio que despencou nas últimas semanas, os petistas já colocaram as barbas de molho.

Não os tranquiliza nem o argumento de que Lula conseguiu dar a volta por cima e se reeleger, após o escândalo do mensalão, em 2005, que lhe havia custado uma forte queda nos índices de aprovação popular.

Ocorre que Dilma, ao contrário de seu criador, não tem o menor carisma. E em 2006 o País surfava na onda da estabilidade monetária, crescimento econômico e avanços sociais. Um panorama muito diferente daquele em que está hoje mergulhado em razão, entre muitas outras, da crônica incompetência do governo lulopetista.

Antes mesmo do início das manifestações populares, o “volta Lula” já estava nas ruas. Ainda em abril, antes da aprovação pelo Congresso da MP dos Portos, que Dilma Rousseff sancionou em 5 de maio, um grupo de aproximadamente 200 militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o braço sindical do PT, marcava sua posição em ato público na Avenida Paulista, ao coro vibrante de “Volta Lula!”. Era a expressão de um sentimento que já então se percebia, embora tímido e discreto, nos círculos lulopetistas Brasil afora.

Na quarta-feira passada, em dois ambientes diferentes e em contextos distintos, duas personagens próximas de Lula vocalizaram o mesmo desejo. O cientista político André Singer, antigo porta-voz de Lula na Presidência, respondeu a uma indagação, durante debate na USP, com a afirmação de que, em consequência da queda da popularidade de Dilma, o nome de Lula, como candidato em 2014, “está colocado”. Singer fez a ressalva de que não estava em condições de afirmar se Lula está ou não disposto ou decidido a ser candidato. E, dizemos nós, muito provavelmente não está.

Por sua vez, o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), cuja devoção a Lula se consubstanciou na tentativa de propor um terceiro mandato consecutivo para o então presidente, que cumpria o segundo, foi bem mais explícito. Depois de criticar abertamente a presidente, afirmando que “o que falta no governo Dilma é gestão”, Ribeiro foi categórico: “Já está na hora de o Lula voltar”.

É claro que, mesmo a conveniente distância, Lula está perfeitamente a par das manifestações desse queremismo. Que, aliás, é muito compreensível, uma vez que, diante dos últimos acontecimentos, a companheirada vislumbra uma luz no fim do túnel e a identifica como a de uma locomotiva sem freio que ameaça atropelá-los.

Mas Lula dificilmente mete a mão em cumbuca. E não foi por outra razão que, diante do clamor da massa que perdeu a paciência com o governo, ele enfiou a viola no saco e foi cuidar de sua vida em outras paragens. Afinal, a coisa está feia. E ninguém mais do que ele é o culpado pelo que está aí.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Vamos em frente...


Só rindo...


Refletir...

“O passado é história, o futuro um mistério e o presente uma dádiva.”) (Provérbio Chinês)

http://pensador.uol.com.br/autor/proverbio_chines/5/

Língua afiada...

PEGADINHA GRAMATICAL
Escolhas lexicais: uma relação entre ortografia e semântica
A relação estabelecida entre a ortografia e a semântica desempenha fator preponderante nas escolhas lexicais que fazemos.
A ortografia e a semântica são fatores relacionados às escolhas lexicais de que fazemos uso
Como usuários da língua, devemos ter habilidades específicas para que possamos efetivar nossas relações interpessoais de forma precisa e objetiva. Em se tratando de situações específicas de interlocução, como é o caso da escrita, tal pressuposto parece ganhar ainda mais notoriedade.

Assim, partindo do pressuposto de que nos encontramos submetidos a um sistema convencional, comum a todos, as escolhas lexicais que fazemos, seja na modalidade oral, seja na escrita, mantêm uma estreita relação com a semântica. Ou seja, ao fazermos uso desta ou daquela palavra, temos, necessariamente, de estar a par do seu verdadeiro significado.

Nesse sentido, abordaremos algumas questões relacionadas à paronímia, cuja característica se demarca pela semelhança entre som e grafia que existe entre as palavras, porém com divergências no que se refere ao significado. Analisemos, portanto, alguns casos representativos, de modo a contribuir para que você faça a escolha adequada:

Apóstrofe (interpelação, chamamento) X Apóstrofo (sinal gráfico)

Bimensal (que ocorre duas vezes por mês) X Bimestral (que ocorre de dois em dois meses)

Calda (líquido engrossado durante a fervura numa solução de açúcar) X Cauda (rabo)

Delação (denúncia, acusação) X Dilação (demora, prorrogação)

Desfiar (desfazer em fios) X Desfear (tornar feio)

Invicto (invencível, que nunca foi vencido) X Invito (involuntário, que procede contra a própria vontade)

Lactante (que produz leite, amamenta) X  Lactente (que ainda mama)

Moleta (instrumento de mármore usado para moer tintas) X Muleta (suporte utilizado pelos portadores de necessidades especiais)

Treplicar (refutar com tréplica) X Triplicar (multiplicar por três)

Vívido (vivo, ardente) X Vivido (alguém que já viveu muito, experiente)  


Como você pôde perceber, sobretudo nesse último exemplo, apenas um sinal gráfico é o bastante para demarcar características semânticas entre as palavras. Em razão disso, precisamos estar de olhos bem abertos.

História...

Período Homérico na Grécia Antiga

Aquiles jogando dados com Ajax. Os poemas de Homero que retratavam os heróis gregos serviram de fonte de estudo do período homérico.*
O período homérico da civilização grega, entre os séculos XII a.C. e VIII a.C., foi assim denominado pela falta de fontes históricas de seus estudos além dos poemas Ilíada e Odisseia, escritos pelo poeta grego Homero. Os dois poemas, escritos provavelmente no século VI a.C., narram o último ano da Guerra de Troia (Ílion, para os gregos) e o retorno de Odisseu (conhecido também como Ulisses) para seu reino após a guerra. Os poemas foram escritos por Homero a partir de histórias orais transmitidas durante séculos pelos povos que habitavam a Hélade (como era conhecida a Grécia).

A importância destes poemas está relacionada ao fato deles expressarem os modos de vida da civilização grega daquela época, bem como seus costumes, uso da terra e formação social. Apesar de serem as únicas fontes escritas sobre o período, há elementos materiais encontrados por arqueólogos que permitem ver que durante o período homérico a civilização grega regressou aos campos, abandonando inúmeras cidades e se afastando da abundância material encontrada nos vestígios das civilizações cretense e micênica.

Possivelmente as invasões dóricas foram responsáveis por esse regresso aos campos e pelo fim do domínio do comércio marítimo da região da Hélade. Durante o período homérico, os povos gregos se organizavam predominantemente em genos, grandes famílias lideradas por um chefe, o páter, o que caracterizou as comunidades gentílicas como patriarcais. Ao contrário da civilização cretense, em que a mulher tinha um papel preponderante, nos genos eram os homens que exerciam a principal influência sobre a sociedade.

O páter era a autoridade máxima e exercia as funções de juiz, além de ser chefe religioso e militar. Os genos eram ainda unidades econômicas, políticas, religiosas e sociais que asseguravam sua subsistência, vivendo muitas vezes em isolamento. O cultivo de terras e o uso dos instrumentos agrícolas se davam de forma coletiva, não havendo propriedade privada.

Porém, com o passar do tempo, o aumento populacional e do consumo levaram os genos a se desintegrarem, já que as terras férteis disponíveis e os instrumentos de produção não acompanharam o aumento do consumo.

Esta situação levou a ocorrência de diversas guerras entre os genos, proporcionando a união de alguns deles para lutarem contra outros. Este processo lento, ao longo do tempo, provocou algumas mudanças na organização da sociedade grega da época. A aproximação entre os genos gerou as fátrias, uma união para combater inimigos comuns. A união das fátrias resultou na formação de tribos, submetidas a um chefe militar conhecido como filobasileu. As tribos também passaram a se unir, dando origem ao demos, ou o povo, cuja autoridade residia no basileu.

Todo este processo de união resultou em mudanças internas aos genos, já que os parentes mais próximos ao páter passaram a ter privilégios na escolha das terras a serem cultivadas. Dessa forma, o caráter de uso coletivo da terra foi se perdendo. Surgiram deste novo processo histórico os eupátridas, os “bem-nascidos”, que detinham as melhores parcelas de terra. Os parentes mais distantes ficaram com o resto das terras, sendo chamados de georgóis (agricultores). Por fim, sobraram os thetis, que ficaram marginalizados nesta sociedade.

As guerras entre várias tribos levaram ainda à formação das pólis, cidades-estado formadas da união de vários demos que se constituíram enquanto comunidades independentes.

Outra consequência da mudança dos genos e dos conflitos bélicos decorrentes foi a ocorrência da segunda diáspora grega, quando parte do povo grego se dispersou pelo Mar Mediterrâneo, formando colônias em vários pontos da costa mediterrânea, principalmente na Península Itálica.

O fortalecimento das cidades-estado e da aristocracia dos eupátridas levaria ao fim das comunidades gentílicas, inaugurando um novo período da história da Grécia Antiga.

Viva a sabedoria...

Cinco vias que provam a existência de Deus em Santo Tomás de Aquino
Todas as vias têm em comum o princípio da causualidade
Comumente se diz que Santo Agostinho cristianizou Platão, assim como Aquino cristianizou Aristóteles. Como este, Aquino parte do sensível para chegar ao inteligível como processo de conhecimento.

Assim, o filósofo cristão distingue cinco vias para caracterizar o conhecimento e provar a existência de Deus. Vejamos quais são:

1. Primeiro motor imóvel: esta primeira via supõe a existência do movimento no universo. Porém, um ser não move a si mesmo, só podendo, então, mover outro ou por outro ser movido. Assim, se retroagirmos ao infinito, não explicamos o movimento se não encontrarmos um primeiro motor que move todos os outros;

2. Primeira causa eficiente: a segunda via diz respeito ao efeito que este motor imóvel acarreta: a percepção da ordenação das coisas em causas e efeitos permite averiguar que não há efeito sem causa. Dessa forma, igualmente retrocedendo ao infinito, não poderíamos senão chegar a uma causa eficiente que dá início ao movimento das coisas;

3. Ser Necessário e os seres possíveis: a terceira via compara os seres que podem ser e não ser. A possibilidade destes seres implica que alguma vez este ser não foi e passou a ser e ainda vem a não ser novamente. Mas do nada, nada vem e, por isso, estes seres possíveis dependem de um ser necessário para fundamentar suas existências;

4. Graus de Perfeição: a quarta via trata dos graus de perfeição, em que comparações são constatadas a partir de um máximo (ótimo) que na verdade contém o verdadeiro ser (o mais ou menos só se diz em referência a um máximo);

5. Governo Supremo: a quinta via fala da questão da ordem e finalidade que a suprema inteligência governa todas as coisas (já que no mundo há ordem!), dispondo-as de forma organizada racionalmente, o que evidencia a intenção da existência de cada ser.

Todas essas vias têm em comum o princípio de causalidade, herdado de Aristóteles, além de partirem do empírico, ou seja, de realidades concretas e de um mundo hierarquicamente ordenados. Vale também notar como Tomás de Aquino concebe o homem. Para ele, o homem é um ser intermediário. É composto de corpo (matéria) e alma (forma) sem as quais nada significa, isto é, nada é isoladamente. Assim, o homem é um ser intermediário entre os seres de forma mais elementar, como os minerais, as plantas e os animais, e os seres mais perfeitos como os anjos e Deus. O homem possui as características dos anteriores a ele e também dos procedentes na hierarquia do universo.

Entretanto, o conhecimento de Deus se faz por analogia, seguindo uma vida de negação que afasta dele todo elemento criatural. Mas somente isto redundaria num agnosticismo. E não se conhece Deus imediatamente como numa contemplação direta com a essência divina, mas somente através de um saber analógico em que todos os nomes não predicados, explicita ou implicitamente de modo negativo, Lhe aplicam tal sentido analógico, o que evidencia a distância infinita entre o Criador e as criaturas e também justifica os enunciados que de Deus fazemos (Deus é Bom, Infinitamente Sábio, etc.).

Essa doutrina da analogia que inclui semelhança e comparação se opõe à da iluminação; esta propõe um contato imediato com Deus. O abandono da Iluminação divina – experiência interna – pela analogia – experiência externa – acarretou suas consequências e dificuldades, a saber: em primeiro lugar, as criaturas semelhantes a Deus por serem causadas por Ele (causa equívoca) devem conter seus efeitos. Desse modo, a causa contém em si os seus efeitos; em segundo lugar, nada é univocamente predicável de Deus e das criaturas, o que de acordo com o dito acima (causa equívoca) seus efeitos também o são. A univocidade se enquadra em categorias e é a relação para a equivocidade, enquanto Deus não se encaixa em nenhuma categoria. Ele é simplesmente; e em terceiro lugar, alguns predicados não são enunciados do modo puramente equívoco de Deus, já que para Aquino, uma equivocação pura é um termo que, por simples causalidade, é empregado para designar coisas diversas. O tautológico não se relaciona com as coisas e se assim fosse, não teríamos dele conhecimento algum; e por último, que os predicados positivos são anunciados analogicamente de Deus e das criaturas. Em nossas predicações, o ser compete primeiro às criaturas e depois a Deus. E não o contrário, porque não há relações entre estes. Designamos Deus a partir do que deparamos nas criaturas de modo infinito (nas relações, ocorre o inverso, já que o predicado é anterior à natureza de qualquer substância).

Portanto, Santo Tomás de Aquino atribui a predicação de Deus e da criatura, somente por analogia, evidenciando entre eles uma distância infinita da qual nenhum conceito transpõe, já que Deus transcende infinitamente a criatura.

Mais uma etapa superada...